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Bruxelas apresenta programa de 115 milhões para inovação na defesa

Bruxelas apresenta programa de 115 milhões para inovação na defesa

A Comissão Europeia refere que a defesa "não é apenas uma política, é uma prioridade estratégica" e que quer "facilitar a vida a quem tem boas ideias, e é isso que também estamos a fazer agora com este novo projeto piloto, o Agile".

Andrea Neves, Correspondente da Antena 1 em Bruxelas /
Foto: Joana Raposo Santos - RTP

A Comissão Europeia apresentou hoje um novo instrumento de financiamento de 115 milhões de euros, o AGILE, para levar as tecnologias disruptivas de defesa do laboratório para o campo de batalha em tempo recorde.

Este instrumento piloto visa acelerar o desenvolvimento e os testes de inovações disruptivas na área da defesa e a sua adoção pelo mercado, como a inteligência artificial, a computação quântica ou os drones, com foco no apoio a pequenas e médias empresas, incluindo startups e scale-ups.

“Definitivamente, o que estamos a testemunhar é que as guerras e os campos de batalha estão a mudar drasticamente e as forças armadas precisam de novas estratégias, entregas rápidas e preços muito competitivos. É por isso que a transformação da indústria de defesa é a nossa prioridade estratégica” salientou na conferência de imprensa em Bruxelas o Comissário para a defesa.

“Hoje, cerca de 7,08% das aquisições de defesa nos países da União Europeia, principalmente entre os grandes investidores em defesa, são dirigidas principalmente aos dez maiores contratantes, grandes empresas consolidadas. Geralmente, estas grandes empresas desenvolvem aquilo a que chamam produção de alta-costura na área da defesa. O desenvolvimento leva muito tempo. Procura-se a excelência tecnológica e os produtos são realmente caros. Esta produção é feita em pequena escala e é muito difícil encontrar fornecedores rapidamente”.

Nos últimos anos, a União Europeia tem intensificado os esforços para reforçar a investigação e o desenvolvimento na área da defesa, nomeadamente através do Fundo Europeu de Defesa (FED), que promove projetos cooperativos e transfronteiriços. Neste contexto, o Programa Europeu de Inovação em Defesa (EUDIS) apoia startups e PME, enquanto o Centro de Inovação em Defesa da UE (HEDI), lançado pela Agência Europeia de Defesa, reforça a cooperação entre os Estados-Membros e as partes interessadas. Em conjunto, estes instrumentos proporcionam uma base sólida para a inovação colaborativa em matéria de defesa na Europa.

“Atualmente, dispomos de instrumentos da União Europeia para apoiar a produção de elevada qualidade na área da defesa. Por exemplo, temos o Fundo Europeu de Defesa. Os procedimentos do fundo para aprovar os projetos são também, de certa forma, de elevada qualidade. O procedimento é muito detalhado e demorado” referiu o Comissário.

Mas Andrius Kubilius garante que a Europa precisa de estar preparada “para travar as guerras de hoje, para ser capaz de se adaptar rapidamente para aumentar a produção imediatamente”.
“Esta não é apenas uma política, é uma prioridade estratégica. Queremos facilitar a vida a quem tem boas ideias, e é isso que também estamos a fazer agora com o nosso projeto piloto, o Agile. O mundo está a mudar, assim como as ameaças também estão também a mudar, e estamos empenhados em garantir que a defesa europeia está preparada para responder” Henna Virkkunen, Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia.
“Até ao momento, a UE tem feito um excelente trabalho de investigação e desenvolvimento na área da defesa” referiu a Vice-Presidente da Comissão Europeia para a segurança.

“No entanto, como também foi salientado no Roteiro de Transformação da Indústria de Defesa da UE, não temos tido o sucesso desejado em termos de rapidez, tomada de riscos e apoio à indústria de defesa, às PME e às startups. É aí que entra a metodologia AGILE, uma proposta de regulamento que é o novo instrumento de financiamento de 150 milhões de euros, e trata-se de um projeto-piloto com duração até 2027” recordou a Vice-Presidente da Comissão Europeia.
Objetivo do Agile é a ambição e a velocidade

“A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia demonstrou que o sucesso no campo de batalha depende agora de ciclos de inovação curtos; a capacidade de desenvolver, testar e implementar novas tecnologias e soluções economicamente viáveis em semanas ou meses, em vez de anos. Com a guerra moderna a sofrer uma rápida transformação digital e tecnológica, o AGILE foi concebido para os atores da "Nova Defesa", as startups e os inovadores tecnológicos que operam a alta velocidade” defendeu o Comissário Andrius Kubilius.

“Em geral, precisamos de ser mais inteligentes e ágeis do que os nossos adversários. É por isso que precisamos de mais PME e startups inovadoras, tanto do setor da defesa como do setor civil, para nos ajudar a acelerar a nossa prontidão de defesa. Precisamos de soluções mais disruptivas e de baixo custo para as nossas forças armadas. As PME e as startups podem contribuir se as impulsionarmos com agilidade, apoio e regras simples” referiu o membro da Comissão Europeia para a defesa e o espaço.

Para apoiar estas empresas, o programa vai disponibilizar um financiamento mais rápido e flexível às empresas individuais e permitirá que as inovações sejam implementadas o mais rapidamente possível. O programa AGILE terá como objetivo operar com um prazo de aprovação sem precedentes de apenas quatro meses e garantir que as tecnologias chegam às forças de defesa num prazo de 6 a 12 meses ou menos.

O AGILE vai assim apoiar entre 20 a 30 projetos, proporcionando um financiamento até 100% para todos os custos elegíveis. Incluirá também uma cláusula retroativa para que as empresas possam solicitar o reembolso das despesas incorridas até três meses antes do encerramento do concurso, a fim de facilitar a inovação rápida.
A defesa antiaérea como uma das prioridades

“Sem dúvida que a defesa aérea e a produção de mísseis, principalmente para a defesa aérea, são questões críticas da atualidade, não apenas para a Europa” referiu hoje em Bruxelas o Comissário para a defesa e para o espaço.

“Precisamos de compreender esta necessidade, especialmente quando se sabe que na guerra no Irão, de acordo com os relatos dos meios de comunicação social tanto as tropas americanas como as tropas dos países do Golfo utilizaram cerca de 800 mísseis antibalísticos do sistema Patriot 800 durante os primeiros cinco dias” referiu Andrius Kubilius.

“E sabemos também quais são as necessidades da Ucrânia por ano. A Ucrânia precisa de alguns milhares de mísseis antibalísticos Patriot. E sabemos que, segundo fontes públicas, a produção total de mísseis antibalísticos Patriot nos Estados Unidos ronda as 750 unidades. Portanto, todos estes números mostram que precisamos realmente, antes de mais, de aumentar a produção de mísseis antibalísticos na Europa”.

O Comissário reforça que “estamos a avançar. Levará tempo. Não posso prometer milagres amanhã ou depois de amanhã. Mas compreendemos o problema. Temos alguns instrumentos que podemos utilizar, e o AGILE é também um instrumento importante nesse sentido”.
Aprender com a Ucrânia e investir mais em defesa

“Por isso, é sempre importante, quando falamos de tecnologia disruptiva, especialmente no sector da defesa, aprendermos com as experiências da Ucrânia e trabalharmos em estreita colaboração com eles, pois vemos que este é um grande desafio também para a nossa indústria de defesa” admitiu Henna Virkunnen.
“Esta é uma prioridade importante para nós, enquanto Comissão, e este é apenas um projeto-piloto. Assim, à medida que aprendemos com este projeto, estamos dispostos a continuar este tipo de atividades em conjunto com os nossos Estados-Membros e a comunidade de start-ups”. Henna Virkunnen, Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia
A Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia refere que “também no âmbito da nossa defesa, no roteiro de transformação que adotámos em novembro, fizemos uma recomendação aos Estados-Membros para que – agora que estão a investir centenas de milhares de milhões de euros a mais em defesa do que antes – 10% desses investimentos sejam alocados a novas tecnologias como a inteligência artificial, a tecnologia quântica espacial e as tecnologias de cibersegurança”.
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